NAS CURVAS DO ROCK (A história nunca contada, nascimento e vida do SEBAS ROCK BAR)

10/01/2018

CAPÍTULO VIII

NOS EVENTOS DA VIDA

 

Leitoras e leitores maravilhosos. Sou obrigado a dedicar um capítulo único para falar das curiosidades e dos eventos que fizemos no período de 92 ao ano 2000.

RODEIO DOS PRAIANOS REGIÃO DE FLORIANÓPOLIS

Esse era um dos maiores rodeio de Santa Catarina. Reunia milhares de gaúchos sulistas e de admiradores desse tipo de torneio. Todo ano era uma disputa para comprar a exclusividade para venda de sorvete. Geralmente eu comprava ela em março e se não me engano acontecia bem no dia dos trabalhadores. O Paulo tinha uma filial da distribuidora de sorvetes em Palhoça, região metropolitana de Floripa. Lá também tinha construído dois apartamentos onde eu e Nilza ficávamos durante o período do rodeio. O ano era 1994. Presidente Itamar Franco e a moeda já era o Real. O rodeio era internacional, coisa que só acontecia a cada dois anos. Lembro até hoje que o Paulo tinha mobiliado somente um apartamento com cama nova e lençóis novos. Me falou:
_ Seba você pode usar o outro apartamento. Vai ter que levar colchão e roupa de cama. Não use aquele meu reservado ok. (risos). Não deu outra: parece que aquele fato foi um elixir para a noite de sexo na cama nova. Depois falei para ele. O cara ficou puto da vida. (risos).
Voltando ao rodeio. Trabalhamos bem na sexta e no sábado dia trinta e trinta e um de abril. No dia primeiro de março, domingo, levei a Nilza e os funcionários até o rodeio e não lembro porque, voltei até o apartamento, mas o fato é que voltei. Na época o Brasil parava aos domingos para assistir o magnífico Ayrton Senna correr e eu não era diferente desse povo. Cheguei no apartamento, peguei o que queria levar e fiquei hipnotizado em frente à televisão assistindo o maior corredor de todos os tempos. O triste da coisa era aguentar a narração do chato do Galvão Bueno, mas enfim ninguém pode contar a história de Ayrton sem passar pela voz de Galvão. Naquele domingo eu não tinha muito tempo para assistir, mas antes de sair dei mais uma espiada na televisão. O prêmio era de San Marino na Itália no Autódromo Enzo e Dino Ferrari. De repente assisti o carro de Ayrton Senna passar direto em uma curva e se arrebentar no muro de concreto. Notei na voz de Galvão que a coisa era muito séria mesmo. Meu dia tinha acabado. Entrei no carro e fui para o rodeio. Cheguei lá e a noticia já tinha se espalhado. Um clima sombrio e de tristeza cobria todos os cantos do rodeio. Era meio dia e comentei para a Nilza que a festa não ia dar em nada, devido ao acidente. Às treze horas o povo fugiu de casa para não ouvir mais notícias sobre o trágico acidente. O rodeio super lotou e começamos a vender muito picolé. Tinha dois quiosques e dez carrinhos de ambulantes percorrendo todas as ruelas do rodeio. O sol fervia e o calor falava mais alto. Às quatorze horas o narrador do rodeio em uma voz chorosa anunciou a morte do nosso herói. Estou aqui escrevendo esse texto em lágrimas de verdade. Foi um momento muito triste. As nuvens se apoderaram do rodeio. Tudo ficou escuro. O povo começou a chorar sem parar. Os cavalos pararam no meio da arena e os cavaleiros tiraram seu chapéu em reverência ao maior herói que o Brasil já tinha visto. Não, ninguém foi embora. O velório tinha começado ali mesmo. Mulheres e homens choravam. Crianças olhando sem entender o que tinha acontecido. Fomos muito bem na festa. O velório de Ayton Senna do Brasil durou uma semana e influenciou em outra festa que faríamos. Na semana seguinte fomos a Curitibanos, cidade localizada bem no centro de Santa Catarina.

 

EXPOCENTRO - FESTA DO ALHO -CURITIBANOS


Como já expliquei no parágrafo anterior, essa festa tinha como tema a colheita do alho em Curitibanos. Na real era só um motivo para comemorar o aniversário dessa cidade. Lugar de extrema pobreza. Parte da população era mestiços de índios e brancos. Outra parte alemães e Italianos. Era uma festa nas margens da BR e ali era meu limite de distância. Nunca passei dali. Para frente tinha Caçador, Concórdia, Chapecó etc. Curitibanos ficava mais de 300km de Balneário. Para mim era muito longe. Eu sempre corria risco na volta de lá, pois saia na madrugada de domingo para segunda sem dormir. Certa vez uns colegas de profissão que eram ambulantes se acidentaram na volta. Um ficou tetraplégico, hoje já é falecido. No primeiro ano que trabalhei lá ganhei dinheiro, mas o risco era muito grande. Esfriava demais e eu só conseguia vender sorvetes no domingo à tarde. Era uma angústia ficar rezando para não chover. Depois do primeiro ano de festa consegui m autorização da direção da festa para trabalhar com quentão. Aí sim acertei na loto. Comecei com uma panela de cem litros. Meu quentão foi ficando tão famoso que aluguei uma barraca só para produzir ele. Para ser ter uma ideia eu enchia dez bombonas de vinte litros com quentão pronto, alugava uma caixa de água dessas de fibras com duzentos e cinquenta litros, enchia todinha de quentão. Passava o dia cozinhando minhas receita de quentão. Só eu tinha o segredo. Cinco litros de vinho de qualidade, cinco litros de água, dois litros de cachaça, cinco kilos de açúcar, casca de abacaxi, Cravo em pó, cravo em pau, canela em pó, canela em pau e meia lata de achocolatado. Depois de tudo fervido eu fazia alguns ajustes para melhorar o sabor. Trabalhávamos em cinco pessoas dentro de dois metros quadrados. Eu deixava uma panela de vinte litros sempre cheia de quentão fervendo em cima de um maçarico (fogareiro de alta pressão), deixava mais uma panela de cem litros pronta do lado. Somando tudo tínhamos 250 caixa de agua + 200 litros dentro de bombonas + 100 litros dentro da panela e = 20 litros da panela pequena, total 570 litros. Esse estoque acabava a meia noite. Dali por diante íamos fabricando quentão na hora com os restos das especiarias do fundo da panela. Eu tinha duas pessoas só fazendo gemada. Batia as claras em ponto neve e depois as gemas, fazendo gemada. No fundo do copo de 300ml primeira ia a gemada, depois o quentão e por último o glacê de clara. Detalhe: com a mistura de água no quentão ele ficava meio transparente, então eu colocava corante duas rodas da cor Bordeaux. No final da festa dava para ver quem tinha bebido quentão. A boca toda tingida de corante (risos). Aquilo dava uma coloração magnífica no quentão. Eu ganhei muito dinheiro com essa fórmula. Foram anos de exclusividade e todo mundo tentando entrar no meu ganha pão. Com o tempo a direção da festa começou a liberar o quentão em todas as barracas, mas não tinha pra ninguém. O meu era especial e tinha caído no paladar do povo. Trabalhei vários anos nessa festa. Quem me derrubou lá foi a distribuidora da coca cola da cidade, que gastava uma fortuna para comprar a exclusividade da bebida e não ganhava um tostão, pois quem bebia um quentão não queria nem ouvir falar em cerveja. (risos).
Geralmente eu saia dessa festa, ficava dois dias em casa e partia para Brusque para fazer a festa de NOSSA SENHORA DE AZAMBUJA.


Para levarmos os frezers e os sorvetes para Curitibanos usávamos um caminhão 608 com carroceria longa tipo baú. Estacionávamos ele no meio do camping. Depois de descarregados os quiosques, os freezers e sorvetes, a carroceria virava um quarto gigantesco cheio de colchões. As noites em Curitibanos eram sempre abaixo de zero. Num determinado ano que já não me recordo mais, deixei o caminhão estacionado no mesmo lugar. O camping era uma zona total. Rádios e rodas de violões a noite inteira. Lembro que dei azar nesse ano. Uma turma enorme e seus rádios gigantes ficaram do lado do caminhão. Geralmente a festa acabava às duas da manhã. Demos uma geral nos quiosques e fomos dormir. Que dormir nada!!! Pedi umas três vezes para os carinhas pararem com o som e foi em vão. Acordei às dez horas da manhã e os caras estavam todos dormindo com a barraca aberta . Por sorte minha a boca dá barraca ficava bem na direção do cano de escape do caminhão. Entrei no caminhão e dei umas três aceleradas sem funcionar. Para quem entende da coisa sabe que quando aceleramos sem funcionar o óleo acumulado. Pois bem. Dei a partida e acelerei com tudo. Saiu um tucho tão grande de fumaça que fez todos os bagunceiros saírem tossindo da barraca. Vingança feita, fui organizar as coisas na banca do quentão, pois já tinha um funcionário fervendo a todo vapor. Passado uma meia hora voltei para o camping e as belas adormecidas estavam todas dormindo na barraca novamente. Como o caminhão já tinha sido aquecido não deu para fazer mais o tucho de fumaça, mas em compensação funcionei ele e fiquei pisando no acelerador durante meia hora sem parar até os carinhas saírem da barraca. Quando voltei para o camping, depois do almoço, para dar mais uma lição nos barulhentos, eles tinha se mudado para bem longe. Justiça feita. (risos)


FESTA DE NOSSA SENHORA DE AZAMBUJA


Era uma festa típica de igreja. Essa é feita ainda na cidade de Brusque, em volta da igreja de mesmo nome e do seminário. Nós comprávamos metros quadrados de fronte para as ruas. A festa só acontecia nos domingos. Era uma loucura. Eu colocava cinco quiosques de sorvete e vendia horror. Lembro que minha mãe fazia um panelão de galinhada com arroz e todos nós comíamos. Lá todo mundo dava um jeito de ganhar dinheiro. Até meu filho Julian com seus sete anos de idade. Tinha um calvário em forma de morro que levava no mínimo uma hora para subir. Eu pegava duas caixas de água com vinte e quatro garrafas cada uma. Deixava o Julian lá no cume do morro vendendo. Evidentemente o lucro era todo dele. Se me pegassem hoje eu seria preso (risos).
Também tinha a festa de natal da HAVAN a pioneira do mega grupo de hoje. Eu colocava vendedores com sorvete para vender e o Julian pegava uns colarzinhos fluorescentes para vender. Vendia muito. Tinha um amigo chamado Augusto que fazia as pulseiras, e como ele era nosso amigo, para se livrar do mala do Julian, liberava umas pulseirinhas para ele vender.
Eu trabalhava em mais de vinte dessas festas por ano. Toda segunda feira o Paulo me esperava na firma dele para fazer o acerto. Já era certa a boa venda. Nessa época a marca Nestlé já tinha comprado o sorvete Gellato e tinha lançado vários produtos novos no mercado, tipo Prestigio Lollo, Chokito, Nagnum. Enfim produto não faltava para vender.

FESTA DO MILHO - CIDADE IMBUIA - Próxima aItuporanga

Não lembro bem o ano que fizemos essa festa, mas lembro que comprei umas quinhentas dúzias de cerveja skol em lata, levei junto no caminhão 608. Na realidade eu tinha comprado a exclusividade na venda de sorvetes, dois quiosques. A cerveja eu levei por levar. Quando cheguei na festa o responsável pelo evento veio dar uma vistoriada no caminhão e logo viu a cerveja. Falou que eu não poderia vendê-las, que meu produto era o sorvete. Concordei na hora, pois isso era fato e eu sempre mantive minha palavra. O cidadão relatou que no fim da festa iria contar para ver se estavam todas as caixas ali. A festa começou em uma quinta se não me engano, acredito que era feriado.Todas as barracas vendiam produtos a base de milho verde, o tempo não estava ajudando muito, choveu muito. Tinha vindo bastante gente nesses dias, mas não consumiram sorvetes. Como a administração da festa era muito inexperiente faltou água nos banheiros . Todos sabemos que o milho verde é bem digestivo. A coisa tinha ficado muito feia, como a festa também estava ligada a um rodeio e centenas de pessoas estavam ali acampadas, não preciso nem dizer para vocês leitores a cagada de forma literal que aconteceu. (Risos). Acordamos no domingo com o sol batendo em nossas testas. Levantamos e fomos pra lida. Estava comigo a Nilza, a Cirene nossa funcionária de Guarapuava e as duas crianças Julian e Leonardo. Esses dois cinco e três anos. Tinha mais alguém com nós, mas não me lembro. Dez horas da manha começou a chegar gente, alias muita gente mesmo. Eram agricultores e moradores de todas as cidades de uma redondeza de cinquenta kilometros. Começamos a vender sorvete sem parar desde as dez da manha até zerar todo o estoque. Como estávamos todos trabalhando sem parar teve uma hora que o Julian sumiu, coisa comum dele nos grandes eventos. Imaginem você com o quiosque lotado, as pessoas brigando para conseguir uma bola de sorvete e seu filho sumido. Graças a Deus que um cavaleiro achou o Ju andando sozinho no meio da festa, na época ele trajava uma camiseta vermelha, um chapéu de couro e bota de camurça um verdadeiro gaúcho. (risos). Ninguém sabe o que ele passou na cabeça, mas onde ia tinha um enxame de mosca perseguindo o coitado. A Nilza teve que dar um banho de água mineral na criança. Como a festa tinha superlotado a cerveja acabou em tudo quanto é canto. Adivinha quem tinha cerveja guardada no caminhão. Euzinho mesmo. Vendi tudo e pelo preço que quis. (risos). Na segunda de manha depois de desmontarmos tudo veio o administrador da festa conferir se a cerveja estava lá. Falei que tinha mandado embora para Balneário Camboriu, caímos na gargalhada nós dois.

OS TRAPALHÕES EM ITAJAI

Acredito que foi em 1994. Pela primeira vez Itajai iria receber a visita dos Trapalhões. Foi a promoção de uma rede de supermercados já extinta COMPER. O show foi marcado para o estádio do Marcilio Dias, único time de Itajai. Lotado cabe umas vinte mil pessoas. Comprei exclusividade na venda de sorvetes e água mineral. O show estava marcado para as treze horas. Nove da manha estava eu com um caminhão carregado de sorvete e de água mineral. No começo a venda foi devagar e conforme o sol ia batendo na cabeça do povo a venda foi aumentando. Eu sei que chegou treze horas e nada dos trapalhões. Aquele povo foi ficando cada vez mais com sede, não dávamos conta de atender todo mundo. Resultado: Por muita irresponsabilidade a direção do supermercado marcou o show para as treze horas e os Trapalhões chegaram as dezessete horas. Foi um calor intenso e muita gente desmaiou. Financeiramente foi bom para mim, mas ali que eu vi a falta de responsabilidade de empresário com as pessoas. Nesse mesmo estádio também me dei bem com o show da BANDA MAMONAS ASSASSINAS.
Pra vocês terem ideia eu sozinho ou com a Nilza fizemos muitos eventos desse tipo, aprendemos a lidar com muitas situações, criar saídas emergências para problemas de imediatos, solucionar o insolucionável. Essa escola vai nos dar aval para abrir um bar em Itapema e outro em Curitiba.

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