NAS CURVAS DO ROCK (a história nunca contada, nascimento e vida SEBAS ROCK BAR)

19/09/2017

Capitulo III

SEBAS BAR PRAIA

 

Nota do autor - Caro leitores. Estou contando três histórias ao mesmo tempo. 
Já tivemos no Capítulo I o Início do Sebas Rock Bar

Capitulo II Como conheci minha esposa e a mudança de Curitiba para Itajaí/Balneário Camboríu

Em julho de 1996 nós tivemos a nossa primeira queda financeira. Não que tivéssemos quebrado, mas quatro anos após ter chegado em Balneário Camboríu estávamos na lona. Claro que tínhamos ainda uma casa em pleno centro de Balneário, mas devendo nos bancos e sem um carro para vender. A história de como vencemos em Itajai/ Balneário vamos contar em outro capítulo.
Meu pai Lauro Sabatke tinha uma distribuidora de sorvetes em Itapema/Meia praia. Ele tinha em torno de dez carrinhos que terceirizava para ambulantes com a marca "Gelato" no começo, multinacional Italiana, e depois Nestle até nos dias de hoje. Ele em Itapema e eu em Balneário Camboriu distribuindo a mesma marca, essa fornecida por meu Tio Paulo Sabatke, aquele do capitulo dois. Após quatro anos vendendo muito em Balneário atingi meu cume de lucratividade e depois uma queda abrupta me levou quase à falência. Acredito que faltou um pouco de estratégia para continuar o negócio ou posso dizer que cometi um dos pecados capitais do empreendedorismo: á acomodação.
A temporada de 1995/1996 tinha sido terrível. Não nos sobrara nada. Sempre trabalhávamos na temporada e no inverno eu saia trabalhar em rodeios na região ou por toda a Santa Catarina, sempre levando o sorvete com quiosques padronizados. Quando não fechava com sorvete na festa fazia uma lanchonete improvisada, mas naquele ano eu já não representava mais meu tio, talvez por ego das duas partes e por exaustão do produto nesses eventos, pois como eles eram vendidos em frezers e graças à excelente distribuição de meu tio, já se podia encontrar o sorvete em todas as padarias e mercados de Santa Catarina. Ninguém mais ia em uma festa só para tomar sorvete. Logo após a temporada eu já estava passando por mal bocados, pois as despesas fixas não paravam de crescer e quando você atinge um padrão de vida a luta fica desesperadora para se manter no topo, tanto de consumo como na parte social, principalmente quando você era um invasor; quando você não pertencia àquela casta. Geralmente quando você perde sua força financeira leva de dois a três anos, no mínimo, para se entender a nova realidade. Nesse tempo você vai se afundando cada vez mais como em um jogo de pocker querendo recuperar o perdido. Por isso é muito importante aceitar a sua situação atual e recomeçar logo sua nova jornada.
Meu pai sempre foi uma pessoa que ficava procurando novas possibilidades e procurando oportunidades para seus sete filhos. Certo dia em minha casa no Balneário ele me falou que tinha uma casa de fronte para o mar em Meia Praia/Itapema e que dava para fazer um excelente quiosque para a temporada- ele já estava morando lá desde 1992, ano que eu mudei de Itajai para Balneário de Camboriu. Para mim foi uma conversa jogada fora, mas para meu pai não. Ele era um sujeito muito conversador e simples. Não tinha muito estudo, mas isso nunca o impediu de falar com quem fosse, não importando a graduação da pessoa. Eu tinha muito orgulho dele por ser bem visto por todos. Passadas duas semanas ele veio com a resposta dizendo que o proprietário queria alugar a casa sim. Como não existia mais motivo algum para continuarmos em Balneário Camboriu, convidei a Nilza e fomos conhecer a tal casa.
Entramos na Av. Nereu Ramos em meia praia e viramos na rua 263, essa que acaba na praia. Estacionamos onde a rua acabava mesmo. As crianças Julian e Leonardo já desceram e correram para a praia, que aliás começava onde estacionei o carro. Você entrando na areia se olhasse para esquerda iria ver uma porção de quiosques na areia da praia, todos de temporada, pois essa atividade era totalmente sazonal. Também dava pra ver o canto da praia de Itapema e os morros do Hotel Plaza. Olhando para a direita dava pra ver Porto Belo, o morro do Cachadaço, que ficava de costas para a praia de Bombas, mas também outras porções de quiosques. Tinha o Carazinho que era robusto de forma arredondada, exuberante e ao mesmo tempo berrante tirando toda a magia da praia. Outro que devo citar aqui é o famoso quiosque do TONHONHO. Isso mesmo: Tonhonho. Era a cantina mais rock and roll da praia, só não era mais porque tocava muito regaae, lugar sagrado para os maconheiros da meia praia. Na temporada juntavam-se milhares de pessoas em sua frente. Eram centenas de garrafas vazias abandonadas ao vai e vem das ondas. Muitos transando ao ar livre, outros desmaiados de tanto beber. Os prédios viravam banheiros públicos. Era um fedor de urina terrível.
O ministério público sempre sonhava em fechar aquele local, mas anos depois que me estabeleci em Itapema o Tonhonho deu um motivo: fez um lual e como sempre super lotou. Tinha banda e tudo. Lá pelas tantas da noite houve um assassinato no meio da galera, como a festa estava muito boa o Tonho fez de conta que nem foi ali, os parentes entraram com ma representação contra o bar e ali foi o fim da festa. Voltando à minha primeira visão de Meia praia. Aquilo era mágico demais e eu não tinha me dado conta que viveria ali uma grande fase de minha vida; que meus filhos iriam crescer e brincar naquelas areias; que um deles em um dia remoto quase seria carregado para sempre. Aquele aviso naquele dia fez com que dobrássemos o cuidado com eles junto ao mar. O Julian, meu filho, mais tarde foi salva vidas e teve a oportunidade de salvar muitos turistas desavisados sobre o calmo mar de Itapema.
Eu e a Nilza permanecemos em silêncio olhando para aquele mar verde ou azul. Não lembro a cor. Não tinha onda. Aliás tinha sim uma onda leve que escorregava preguiçosamente por entre os grão de areia e vinha descansar no meio de nossos pés, a qual devolvíamos àquelas águas transparentes com pequenos chutes, como adolescentes mesmo. De vez em quando uma gaivota passava berrando quase que na obrigação de nos lembrar que estávamos de frente para o mar e não de uma lagoa.
Viramos para o lado da cidade, de fronte para a casa e lá estava um quiosque de dezesseis metro quadrados. Parecia um daqueles quartinhos de mexicano no meio do deserto. Subimos e fomos dar uma olhada nele. Estava de bom tamanho. De frente e ao lado tinha umas mesas de madeira velha de praia enterrada com pés direito na areia, três árvores sombreiras sete copas cobriam todo o local dando um ar de praia mesmo. Entramos no terreno de trinta metros de comprimento. Nem no fundo, não muito longe da praia, estava a casa de alvenaria por fora, com duas lajes de setenta metros cada uma, mais ou menos. Era bem bonita, porém abandonada e precisando de uma reforma. Abrimos a porta e veio aquele cheiro de casa fechada de praia, de mofo mesmo. Ela era toda revestida de forro (lambril) de imbuia, essa madeira deixava a casa meio sombria por dentro e de cara eu já não descartava a presença de fantasma nela (risos). Falo isso porque em minha infância em Curitiba tivemos grande problemas com esses bichinhos. Desde minha adolescência eu e meus irmãos escutávamos passos em nossa casa de madeira, passos no corredor feito de assoalho de madeira com entrada para os quartos esses sem portas, pois usava-se somente cortinas. Nossa primeira experiência sobrenatural foi comigo e meu irmão Américo. Então tínhamos sete e oito anos respectivamente, ele mais velho. Estávamos dormindo quando a vidraça em cima da cama quebrou-se inteira, estilhaçando vidros quebrados em cima de nós dois. Começamos a gritar e quando nossos pais chegaram não tinha acontecido absolutamente nada. Não havia vidraça alguma quebrada.
Eu chegava da aula à noite então com quinze anos, jantava, chaveava a porta e apagava a luz. Quando chegava no quarto olhava para trás e a luz estava acesa. Levantava para apagar e quando olhava para a porta, ela estava aberta sem chave. Aquilo era tão corriqueiro que eu nem me arrepiava mais. Meus irmão também tinham essas experiências e em muitas vezes dormindo no mesmo quarto os dois escutavam os passos e os ruídos no corredor de soalho de tábuas, acreditávamos piamente que eram o pai de nossa mãe, Pedro Portela. Rezava a lenda que ele tinha matado muita gente na guerra do contestado e realmente pareciam botas de couro militar que marchavam à noite em nossa casa. Uma das cenas mais contundentes foi quando uns amigos meus, que pagavam pensão em nossa casa e precisamente o mais Spock deles (jornada nas estrelas) José Doroti, conta que ali pelas dez da manhã estava dormindo na parte de cima do beliche e que de repente a cama começou a balançar e a levitar. Ele começou a xingar meus irmão achando que eles estavam fazendo aquilo. Porém, quando ele olhou pra baixo não havia ninguém ali. Muitas vezes a gente ia dormir, encostava o ouvido no travesseiro e começava uma pulsação de coração bem alta. Yeve um caso em que fomos visitar a mãe. Eu e a Nilza, O Julian ainda bebê pegou no sono. A mãe pediu para a Nilza levar ele na cama dela. Pois bem a Nilza levou e o colocou na cama, de repente começou um gemido forte, bem forte. A Nilza largou o Julian e saiu correndo. Só depois contou o fato. Para encerrar o assunto essa casa foi herdada por meu irmão Silvio, desmontada e remontada na praia de piçarras em Santa Catarina. Minha cunhada esposa do Silvio, evangélica nunca acreditou nessas histórias, mas teve também as suas experiências fantasmagóricas nessa casa. Nota: Nunca se viu nada, apenas se ouviu.
Devagar antes mesmo de mudar do Balneário fui ajeitando o quiosque. Chamei meu funcionário "SEU CHICO" (Um caboclo matogrossense que tinha me acompanhado em todos os rodeios até então. Ele ficou um tempo me ajudando ainda e voltou para o Mato Grosso. Teve uma morte besta. Foi carpir no fundo de um quintal e uma cobra deu cabo no grande amigo), para fazermos uma saia de "eternit" em volta daquela sala pequena que tinha de frente para o mar. Essa cobertura foi utilizada como um salão com várias mesas que nós mesmos fizemos.
Mudamos no mês de julho para a casa de Itapema, exatamente por causa da escola das crianças. Fomos nos adaptando com o novo ambiente. Tínhamos pesadelos noturno de que o mar tinha invadido tudo, pois o barulho era ensurdecedor das ondas madrugada a dentro e nós,como curitibanos, tínhamos todos os medos possíveis desse monstro chamado mar.
Sem experiência alguma, aproveitamos para abrir exatamente no feriado de sete de setembro. Ingenuamente colocamos umas garrafas de vodka na prateleira, um liquidificador e um espremedor de frutas. Recebemos a visita da irmão da Nilza, Sueli e seu esposo Zenildo e da Aparecida, irmã da Nilza e seu marido José. Claro que todos eles com filhos, todos da idade dos meus. Foi maravilhoso eles estarem conosco nesse momento novo em nossas vidas, nos sentíamos seguro com eles junto.
Abrimos então o SEBAS no dia sete de setembro de 1996. Não sabíamos nem fazer batidas de frutas direito. Aliás a primeira batida que o cliente pediu teve que ensinar a Nilza a fazê-la. Quanto à caipira nós já sabíamos a fórmula mágica: um limão descascado e cortado sem os miolos. Coloca na coqueteleira com duas colheres de açúcar. Espreme bem com um socador, coloca gelo até na borda e encerra com duas doses de qualquer bebida. Depois é só tampar a coqueteleira, chacoalhar bem e servir em um copo descartável de 400ml. Agora só precisávamos aprender toda a culinária de frutos do mar, conseguir alvará, entender os políticos e o povo de Itapema. Então que venha a temporada de 96/97.
Continua.

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