NAS CURVAS DO ROCK (a história nunca contada, nascimento e vida SEBAS ROCK BAR)

18/08/2017

NAS CURVAS DO ROCK (a história nunca contada, nascimento e vida SEBASROCKBAR)
Capitulo 1 - As primeiras notas
Naquela manha acordei bem cedo e prometi a mim mesmo que iria percorrer a rua Arthur Bernardes da rápida do portão até o Barigui. Estava com uma bolsa cheia de camisetas e camisas, essas, modelos para serem oferecidos aos vendedores de carro. Nessa rua estavam dezenas de agências de carros novos e usados. Era o começo do ano de 2007, para onde você olhava tinha uma loja de carros usados e o pior de tudo é que todas vendiam, o Brasil respirava riqueza e todo mundo tinha seu emprego e seu carro. Andando na contra mão da economia eu tinha retornado definitivamente para Curitiba nesses dias, pois depois de ter ficado dezessete anos em Santa Catarina, ter quase ficado rico, estava eu de volta morando em Curitiba no Xaxim, sem lenço, sem documento e sem perspectiva de me dar bem novamente. 
Estacionei o carro em uma rua lateral, estava sem minha companheira de vendas Ana Paula Sabatke esposa de meu irmão Arildo. Em um ano anterior antes de retornar para Curitiba definitivamente, nós passamos em muitos lugares (fábricas, escolas, prefeituras) vendendo as "rameras", mas enfim nesse momento eu estava só de verdade, tinha que faturar, dois filhos estudando e a Nilza em casa esperando e torcendo para que eu vendesse alguma coisa. Respirei fundo e comecei a contar as lajotas da Arthur Bernardes rumo ao Barigui. Fui subindo pelo lado direito da rua tentando convencer a mim mesmo que não iria fracassar, me animava em cada lugar que chegava, abria todos os mostruários e mostrava as camisas bordadas nas costas com o nome da loja. Era exaustivo, pois a paciência tinha que ser a minha maior aliada, ficava esperando horas até que o dono ou gerente me atendesse. Sempre mostravam interesse e especulavam o preço. Eu era representante de uma fábrica de Blumenau e tinha um produto bom, mas o mercado era muito competitivo e também cheio de compradores caloteiros, também tinha o problema da entrega do produto depois da venda, pois nem sempre a fábrica cumpria com a data da entrega.
Cumpri meu objetivo e fui de loja em loja até próximo o Barigui. Almocei por lá e retornei a minha odisseia de vendedor, voltando pelo lado esquerdo de quem vem da Arthur. Confesso que foi um momento muito difícil da minha vida, meu moral foi baixando pouco a pouco e começaram a vir os
bons momento de outrora na lembrança, quando tinha um bar de praia em Itapema de frente para o mar na Meia Praia, Apesar de trabalharmos só na temporada tínhamos um excelente padrão de vida, carro novo e dois excelentes sobrados, um no centro de Balneário Camboriu e outro em Meia Praia. Não citarei o valor deles aqui, mas acreditem senhores, valia um bom dinheiro. Fomos muito felizes,vendíamos muito de verdade, de coco verde a camarão, de churros a filé de linguado, de picolé a caipiras de frutas, enfim tudo era uma loucura. Eu tinha dez garçons na areia e mais cinco no salão da cantina. Três cozinheiras e dois copeiros, sem contar a minha amada cunhada e fiel escudeira Sueli Locks que sempre estava lá ajudando no que dava. Sempre que acabava o carnaval era aquela festa, nos divertíamos muito, todo mundo com dinheiro no banco. Eu e a Nilza pagávamos a vista a escola das crianças, fazíamos uma viagem e ainda ficávamos de perna pro ar o resto do ano. Para nos fazer companhia tínhamos nosso compadre Loriberto Weiduschath, sua esposa Marli e seu dois filhos. Não havia solidão sempre fazendo churrasco, tinham mais dois amigos Brigita Bernardy , seu marido Neco grande amigo e seus filhos roqueiros metaleiros. Viveríamos uma eternidade em Itapema, mas devagar a cidade foi nos cuspindo para longe. Primeiro foi o Neco, depois nós e por último o Lori, todos no mesmo ano.
Continuei confusamente andando de volta pela Arthur e rezando para vender algo, mas as especulações eram demais e vender uma camiseta parecia a mesma coisa que vender um carro. Chegando uns cem metros antes da Av. Silva Jardim, me sentia cansado de tudo, foi como se eu tivesse carregado uma cruz e no momento fatídico ter sofrido a terceira e última queda. Sentei num muro baixo, coloquei a mala de amostras ao lado de meus pés e chorei, não como um fracassado, mas por não entender o que eu estava fazendo naquele local com aquela bolsa de camisetas e tentando vender algo que eu não queria vender. Aquele choro me fez voltar no tempo, exatamente no dia em que estávamos desmontando nosso bar da praia, pois a prefeitura por ordem da união tinha mandado todas as cantinas saírem da faixa da areia. Lembro que todos os meus clientes da rua vieram ver o desmanche do Sebas beira mar, eram todos alemães de Timbó, a maioria com mais de setenta anos. A cena foi muito triste, você e sua esposa ver os velhinhos chorando junto com contigo. Esses senhores e suas esposas viram o Sebas nascer a beira mar, vinham e sentavam o dia inteiro de fronte para o mar, todos contaram durante os dez anos de existência do bar, suas historias e desilusões, contaram sobre suas vidas, costumes e filhos, contaram dos cachorros e das festas alemães. Tomamos muitos porres juntos e muitos abraços de despedidas e boas vindas também, pois todos os anos eles iam e voltavam para a temporada. Embora eles tivessem culpa por termos perdido a cantina, pois todos tinham casas de veraneio e por ganância se entregaram ao mercado imobiliário de Itapema. No lugar de suas casas foram construídos prédios caríssimos e cada um deles ganhou um apartamento. Infelizmente a troca das casas de cinquenta anos de história por um apartamento acabou que matando a todos de depressão e solidão. Desmontado o quiosque começamos a discutir o próximo negócio. Foi a maior briga com a Nilza até que infelizmente convenci ela a fazer uma churrascaria de padrão na segunda avenida de meia praia. Gastamos na época duzentos mil reais para fazer, tudo dinheiro emprestado dos bancos. Demos com o burros na água, a cidade era muito pequena para comportar uma churrascaria daquele tamanho. Sobrevivemos o primeiro ano e no segundo já chegamos quebrado. A Nilza entrou em depressão, eu não tinha nem dinheiro para comprar a carne para o rodizio. A nossa câmara fria ficava cheia de carne assada não vendida, doávamos tudo. A gota d'água foi quando entrou apenas um cliente na hora do almoço e na hora de cobrar ele me deu uma vale almoço que tínhamos dado para a rádio divulgar a churrascaria. Graças a Deus que junto com o fechamento da churrascaria, conseguimos vender uma das casas. Pagamos os devedores principais e fui para Curitiba arranjar algo para comprar. Vendemos a segunda casa e conseguimos comprar por um bom preço um sobrado no Xaxim. Levei a Nilza e as crianças para Curitiba e colocamos a churrascaria para vender. Depois de pagar todos os funcionários e todos os empréstimos dos bancos, praticamente zerou nossa conta. Largamos a churrascaria fechada em Itapema e fomos para Curitiba. Então já era setembro. Nesse momento que veio a ideia de vender camisetas com minha cunhada. Quando chegou em novembro fui obrigado a voltar para Itapema para abrir a churrascaria, uma vez que não conseguimos vender. Estávamos pagando um aluguel de três mil e quinhentos reais por mês e não poderíamos continuar perdendo dinheiro por tanto tempo. A Nilza tinha ficado em Curitiba e eu desci sozinho para enfrentar os fantasma que tinham ficado dentro da churrascaria. Como ela era grande construí um alojamento na parte de cima. Contratei todo mundo novamente e tentei fazer um bufett mais barato para chamar o povo. Acrescentamos pizza durante á noite também. Dezembro e janeiro teve um bom movimento, fevereiro começou a cair e novamente me vi apertado financeiramente. Os meninos tinham ficado em Curitiba e a Nilza estava ali batalhando comigo. Uma semana antes da Páscoa a Nilza subiu e eu fiquei para tocar a última semana. Deus sorriu para nós e mandou um comprador, pagou o que quis e eu aceitei. Perdemos muito dinheiro naquele momento para ter novamente a chance de um dia ganhar de novo. Conseguimos um pequeno apartamento no negócio e mais um carro. O apartamento eu troquei por um terreno em Mandirituba e o que sobrou de dinheiro estava em uma conta corrente, não mais de trinta e cinco mil reais.
Um mês depois de ter vendido a churrascaria estava eu em Curitiba, ali em um mundo estranho, em uma rua estranha, observando um monte de carros barulhentos andando sem direção, tentando vender camisetas para quem não queria comprar. Derrubei minha última lágrima e voltei para casa.
Entrei pra dentro e vi a Nilza sorrindo, os pias brigando com sempre. Comecei a jogar conversa fora com ela e discutindo nosso futuro, pois não havia mais interesse da parte dela em abrir um bar novamente. 
Como nos amamos muito e ela sabe exatamente o que passa em minha cabeça, não foi difícil de descobrir o que estava passando na minha cabeça naquele momento. Choramos juntos. Depois daquilo foi muito lindo o que ela falou para mim:
SEBA MEU AMOR, FAÇA O QUE VOCÊ SABE FAZER, SE FOR BAR FAÇA UM!!
·

Nota do autor- Para contar e entender essa história, vou fazendo ping-poing com outros fatos relevantes para o nascimento do Sebas Rock Bar, Falarei quando conheci a Nilza. como chegamos em Santa Catarina, nossa vida em Balneário Camboiu e Itapema - Meia Praia
-Seba meu amor, faça o que você sabe fazer, Se for bar faça um. (Nilza)

(fim do primeiro capítulo)

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